A última criança suspeita de morrer vítima da dengue foi Israel Vitor Patrício Marques, de 10 anos, que foi enterrado na tarde da última terça, 1, em São João de Meriti. O menino estava internado no CTI do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), em Vila Isabel. O drama da família começou na quarta-feira passada, quando Israel foi levado para Unidade Integrada Municipal Abílio de Carvalho (Uimac), no Centro de Meriti, com sintomas da dengue. Segundo familiares, os médicos informaram que não se tratava da doença. Apresentando problemas respiratórios, manchas, diarréia e dor de cabeça, Israel foi transferido para o HUPE, domingo, em estado grave.

Se for confirmada a dengue no laudo de óbito, Israel Vitor Patrício Marques vai entrar para a estatística que não pára de crescer. A secretaria estadual de Saúde confirma, até o momento, 57.010 casos de pessoas infectadas pelo mosquito Aedes aegypti no Rio de Janeiro. As vítimas mais vulneráveis são as crianças. Do total de 67 óbitos no Estado, 32 são menores de 13 anos. O município mais afetado é a capital, onde há 36.647 notificações. A média de registros na cidade são 1.500 novos casos por dia. A região mais afetada é Jacarepaguá, Zona Oeste.

Os especialistas alegam que o crescente número de caos infantis está relacionado às epidemias que atingiram a cidade do Rio em outros anos. O vírus tipo 3 é o que predomina em 2008 e foi o mesmo de 1991, primeiro ano do surto. A maior epidemia no Rio, em 2002, foi alastrada pelo tipo 2. Nesta época, muitas crianças contraíram dengue e não foi diagnosticado a doença.  Ou seja, quando a criança adquire a doença pela segunda vez, de um tipo de vírus diferente, é muito mais complicado conter o desenvolvimento da enfermidade. E os adultos que já foram infectados pelo tipo 3 estão imunes à esse novo surto.

A reclamação de muitos pacientes e hospitais foi a falta de pediatras para atenderem os menores. Para tentar solucionar a questão, o secretário estadual de Saúde Sérgio Côrtes, pediu ao Conselho Nacional de secretarias Estaduais de Saúde, na última segunda-feira, que médicos de outros estados fossem contratados para ajudar no combate à dengue no Rio.

Cinco estados estão em contato com o governo do Rio para apoiar na luta contra a epidemia: Santa Catarina, Ceará, Rio Grande do Sul, Amapá e Rondônia. Os médicos deslocados receberão treinamento específico para tratar os pacientes doentes. Os estados colaboradores e o número de especialistas de cada local serão definidos hoje (03/04) em uma reunião interna da secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro. A secretaria Estadual de Saúde informou que seriam necessários 154 pediatras para que outras crianças tenham mais sorte que o menino Israel.