O decreto publicado pelo governo do Rio de Janeiro pedindo ajuda na luta contra a dengue foi acatado por seis estados do país. Cerca de 100 médicos especializados em clínica geral e pediatria de São Paulo, Rio Grande do Sul, Amapá, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Paraná estão na cidade para ajudar no combate a doença. O objetivo é aumentar o efetivo de médicos e enfermeiros durante o período de epidemia para agilizar o atendimento aos pacientes.
O estado que mais colaborou com especialistas foi São Paulo. O hospital Albert Einstein encaminhou 48 profissionais, entre médicos e técnicos de saúde. Todos atendem na tenda de hidratação do Méier, montada para pacientes do hospital Salgado Filho, Zona Norte do Rio. Outra tenda foi inaugurada na Gávea, Zona Sul, para pacientes do Hospital Miguel Couto, onde estão trabalhando os médicos do Rio Grande do Sul.
Segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, o Conass, que faz a mediação de todo o processo de contratação dos médicos de outros estados para o Rio, o governo irá pagar as despesas de hospedagem e transporte. Além disso, os profissionais receberão R$ 500 por cada plantão de 12 horas. Essa remuneração gerou polêmica com os médicos cariocas que recebem bem menos pela mesma jornada de trabalho.
Para não haver injustiça e desvalorização profissional, o secretário estadual de Saúde do Rio, Sérgio Côrtes, disse que vai equiparar os salários dos médicos do Rio e dos que vieram de outros Estados.
Contudo, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, o Cremerj, informou que não há necessidade de contratar profissionais de outros Estados. O conselho afirma dispor de 257 médicos clínicos e pediatras do Rio à disposição para trabalhar contra a dengue em tendas, postos de saúde e hospitais. Isso deixa muitos cariocas preocupados, pois o secretário Sérgio Côrtes disse que o Rio ainda precisa de 170 médicos, já que o número de profissionais no atendimento não se mantém constante. Muitos cidadãos estão inquietos, enquanto há dúvidas e discussões sobre os gastos de verba pública desnecessária, os números de vítimas do mosquito Aedes aegypti não pára de crescer.