O surto de dengue deste ano entrou para a história essa semana. É a maior epidemia no estado do Rio de Janeiro. O número de óbitos, apenas nos quatro primeiros meses de 2008, ultrapassou o total de 91 vítimas em 2002. Já são 92 mortes confirmadas, e o mais impressionante é que esses números podem dobrar. A secretaria estadual de Saúde ainda investiga 96 óbitos por suspeita de dengue.
Os infectologistas afirmam que esse ano a doença é mais grave, pois o índice letal é maior do que nos outros anos. Em 2002, 288.245 casos foram notificados e 91 pessoas morreram. Até o momento, a secretaria estadual de Saúde divulga que 110.783 notificações confirmam a doença.
A maior preocupação dos especialistas é uma nova epidemia em 2009. Caso a população e as autoridades não combatam, realmente, o mosquito Aedes aegypti, uma nova marca histórica pode ser esperada para o ano que vem. Pois, se a cada nova epidemia uma pessoa que já foi contaminada por algum tipo do vírus contrair outro, corre o risco de adquirir a forma mais grave e mortal da doença: a hemorrágica.
O superintendente em Vigilância em Saúde do estado, Vitor Berbara, concorda com os especialistas. Berbara ratifica que no Sudeste Asiático, onde circulam os quatro tipos de vírus, o aumento dos casos mais graves é cada vez mais freqüente devido às sucessivas epidemias. E isso pode acontecer em 2009 no Rio, se nada for feito efetivamente.
Muitas pessoas afirmam que a epidemia começa a diminuir. É provável que ocorra esse declínio por dois motivos: com a mudança de estação, a temperatura média não favorece tanto o mosquito; e ao grande número de pessoas já infectadas. E para àquelas que esperam uma vacina contra o mosquito, as notícias não são otimistas. Apesar dos estudos para a criação está em andamento, os epidemiologistas acreditam que somente dentro de oito a dez anos ela estará disponível no mercado para a população.